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Em um cenário global onde a fortuna é frequentemente associada à longevidade e à experiência, duas jovens figuras se destacam na recente lista de super-ricos da Forbes, não apenas por sua idade surpreendentemente baixa, mas por uma peculiar e significativa conexão com o estado de Santa Catarina. Luana Lopes Lara, de 29 anos, e Amélie Voigt Trejes, com apenas 20 anos, representam diferentes caminhos para o bilionário status – uma trilhou o percurso da inovação e do empreendedorismo, a outra herdou um legado industrial colossal. A singularidade de suas histórias, unidas pelo solo catarinense, revela facetas dinâmicas da economia e da sociedade brasileira, que vão desde a ascensão de startups de tecnologia até o poder de impérios familiares tradicionais.

Luana Lopes Lara: a inovação nascida do esforço em Santa Catarina

A trajetória de Luana Lopes Lara é um testemunho da capacidade de construir fortuna a partir do zero, impulsionada por inteligência, dedicação e visão de futuro. Nascida no Brasil, ela foi reconhecida pela Forbes como a bilionária mais jovem do mundo a forjar sua própria riqueza, sem depender de herança familiar. Sua ligação com Santa Catarina remonta à sua adolescência, onde aprimorou a disciplina e a arte como ex-bailarina do prestigiado Balé Bolshoi de Joinville. Essa formação artística, embora distante do universo financeiro, pode ter incutido nela uma resiliência e uma capacidade de execução que se revelaram cruciais em sua vida profissional.

A ascensão da Kalshi e o mercado de previsões

O coração da fortuna de Luana reside na Kalshi, a startup que ela cofundou com Tarek Mansour. A Kalshi não é uma empresa de tecnologia comum; ela opera como uma inovadora plataforma de contratos de eventos, um tipo de mercado de previsões. Em essência, a plataforma permite que usuários apostem no resultado de eventos futuros, que podem variar amplamente – desde eleições políticas e resultados esportivos até tendências da cultura pop e indicadores econômicos. Este modelo de negócio, ainda relativamente novo e em expansão, capitaliza sobre o interesse inerente das pessoas em prever o futuro e oferece uma forma estruturada de monetizar essas previsões, criando um novo tipo de ativo financeiro. A empresa se posiciona na vanguarda da economia de dados e comportamento, transformando opiniões em transações financeiras.

A valorização meteórica da Kalshi catapultou Luana para a lista dos bilionários. No final de 2025 (dado corrigido de 2023 no material original), a empresa levantou impressionantes US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos. Esta captação foi liderada pela Paradigm, uma renomada empresa de capital de risco especializada em criptomoedas e tecnologias emergentes, e contou com a participação de outros gigantes do setor, como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator. O calibre desses investidores não apenas valida o modelo de negócio da Kalshi, mas também injeta capital e expertise que aceleram seu crescimento e expansão. A confiança demonstrada por esses fundos de capital de risco é um indicativo do potencial disruptivo que a Kalshi representa no cenário financeiro global.

O impacto financeiro foi imediato e substancial. De acordo com a Forbes, o valor de mercado da Kalshi experimentou um crescimento exponencial, multiplicando-se por mais de cinco vezes em um curto período: de US$ 2 bilhões em junho para um colossal US$ 11 bilhões em dezembro do ano passado. Essa explosão de valor não apenas solidificou a posição da empresa, mas também elevou significativamente o patrimônio de seus cofundadores, Luana Lopes Lara e Tarek Mansour, inserindo ambos no seleto clube dos bilionários.

Formação e experiência pré-Kalshi

Antes de fundar a Kalshi em 2018, Luana Lara construiu uma base acadêmica e profissional robusta. Ela é formada pelo prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), uma das instituições de ensino mais renomadas do mundo em ciência e engenharia. Foi durante seus anos no MIT, onde ingressou em 2014, que ela conheceu Tarek Mansour, seu futuro sócio. Sua experiência profissional antes da Kalshi incluiu passagens por gigantes do mercado financeiro global, como Bridgewater Associates, o maior fundo de hedge do mundo, e Citadel, uma proeminente empresa de gestão de fundos. Trabalhar nessas instituições de elite forneceu a Luana um entendimento profundo dos mercados financeiros e das estratégias de investimento, conhecimentos que se mostraram inestimáveis para a concepção e o sucesso da Kalshi.

Sua aptidão para o rigor e a lógica já era evidente na adolescência, quando conquistou medalhas em olimpíadas acadêmicas em Santa Catarina, incluindo ouro em Astronomia e bronze em Matemática. Esses primeiros sucessos destacam uma mente brilhante e uma inclinação natural para desafios complexos, traços que claramente a acompanharam em sua jornada empreendedora.

Amélie Voigt Trejes: o legado de uma 'fábrica de bilionários' em Jaraguá do Sul

Em contraste com a trajetória empreendedora de Luana, Amélie Voigt Trejes, com 20 anos, representa a face da riqueza herdada. Catarinense e parte de uma das famílias mais poderosas do Brasil, Amélie se tornou a bilionária mais jovem do mundo, segundo a Forbes, devido à sua herança no império da WEG, uma multinacional brasileira com raízes profundas em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Sua história, embora diferente, igualmente demonstra a proeminência de Santa Catarina na geração de fortunas.

O império WEG: de motores a sistemas elétricos globais

A WEG é uma das joias industriais do Brasil, fundada em 1961 na cidade de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. O nome da empresa é um acrônimo dos sobrenomes de seus três fundadores já falecidos: Werner Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus. Desde suas origens na fabricação de motores elétricos, a WEG evoluiu e ampliou significativamente suas atividades a partir dos anos 1980, tornando-se uma fornecedora global de sistemas elétricos industriais completos. Hoje, a empresa atua em uma vasta gama de segmentos, incluindo motores, geradores, transformadores, automação industrial, tintas e vernizes, e soluções de energia renovável. Sua expansão global é notável, com filiais em 41 países, solidificando sua posição como líder de mercado em diversas áreas.

A WEG é popularmente conhecida como a 'fábrica de bilionários' devido à sua estrutura acionária familiar que historicamente beneficiou os herdeiros diretos dos fundadores. Essa política de governança corporativa resultou na concentração de uma riqueza substancial nas mãos da família Voigt e associados. Amélie Voigt Trejes é uma das representantes dessa nova geração de herdeiros, com um patrimônio líquido avaliado em US$ 1,1 bilhão, conforme o levantamento da Forbes.

A família Voigt e a concentração de riqueza

A lista de jovens bilionários brasileiros da Forbes reforça a dominância da família Voigt. Além de Amélie, outros cinco dos seis jovens brasileiros mais ricos têm seus nomes vinculados à WEG. São eles: Dora Voigt de Assis (28 anos, US$ 1,4 bilhão), Felipe Voigt Trejes (23 anos, irmão de Amélie, US$ 1,1 bilhão), Pedro Voigt Trejes (23 anos, irmão de Amélie, US$ 1,1 bilhão) e Lívia Voigt de Assis (21 anos, US$ 1,4 bilhão). Essa concentração de riqueza em uma única família, proveniente de uma única empresa, sublinha o poder e a longevidade do império industrial da WEG e o impacto de suas políticas de sucessão e distribuição de capital.

Apesar de sua vasta fortuna, Amélie Voigt Trejes mantém um perfil discreto nas redes sociais, com uma conta fechada para um círculo restrito de conhecidos e um número limitado de seguidores. Essa postura reservada é comum entre muitos herdeiros de grandes fortunas, que buscam privacidade em meio à intensa atenção pública que acompanha sua riqueza.

A dupla face de Santa Catarina na geração de fortunas

A simultânea ascensão de Luana Lopes Lara e Amélie Voigt Trejes, ambas com fortes laços com Santa Catarina, ilustra a dualidade e a robustez econômica do estado. De um lado, Luana, com sua formação cultural em Joinville e sua mente brilhante forjada no MIT, simboliza o potencial do empreendedorismo de alta tecnologia e da inovação que atrai investimentos globais. Sua história reflete um Brasil que se conecta com as tendências globais de startups e mercados digitais. De outro lado, Amélie, herdeira da WEG de Jaraguá do Sul, representa a força da indústria tradicional, que, através de décadas de crescimento e expansão internacional, continua a ser um pilar da economia e um gerador de riqueza dynástica.

Essa combinação de fatores – a capacidade de incubar talentos que se tornam empreendedores globais e a resiliência de um setor industrial de base – posiciona Santa Catarina como um polo de prosperidade diversificada. O estado não apenas exporta produtos industriais para o mundo, mas também exporta talentos e ideias que moldam o futuro financeiro e tecnológico global. A presença dessas duas jovens bilionárias, cada uma a seu modo, evidencia que Santa Catarina é um terreno fértil para a criação e a perpetuação de riqueza, seja ela fruto da disrupção tecnológica ou da consolidação de um legado industrial robusto.

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Fonte: https://g1.globo.com

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