A espera por um desfecho doloroso e necessário se estende para a família de Luciani Aparecida Estivalet, a corretora gaúcha brutalmente assassinada e esquartejada em Florianópolis. Segundo informações da Polícia Científica de Santa Catarina, a complexa análise dos fragmentos corporais encontrados pode demandar até 40 dias para ser finalizada, postergando a liberação do corpo e, consequentemente, a realização do velório. A situação expõe a profunda angústia de parentes que, além de lidarem com a perda trágica, enfrentam a incerteza e a demora para dar um adeus digno à sua ente querida.
Os restos mortais de Luciani foram localizados em Major Gercino, uma cidade a mais de 100 quilômetros da capital catarinense, dias após a família registrar o seu desaparecimento. A natureza fragmentada do corpo impõe desafios significativos aos peritos, que estão na fase final de verificar a possível presença de substâncias como drogas ou medicamentos, um procedimento crucial para a elucidação completa do caso e a determinação de todas as circunstâncias que antecederam e envolveram o crime.
A complexa tarefa da perícia forense na identificação
A perícia em casos de corpos fragmentados é um processo meticuloso e demorado, exigindo o emprego de diversas técnicas de antropologia e genética forense. No caso de Luciani, as diferentes partes do corpo foram descobertas e encaminhadas à Polícia Científica em momentos distintos, o que demandou um protocolo específico. Os procedimentos adotados priorizaram a reunião e a análise conjunta de todos os fragmentos, um passo fundamental para garantir que todas as partes pertenciam a um único indivíduo, como posteriormente confirmado pelos exames de antropologia forense.
A Polícia Científica explica que esse protocolo é essencial para assegurar a precisão pericial, evitando a realização de múltiplos exames genéticos isolados e garantindo que o caso se refere a um único óbito. Além disso, o objetivo é reconstituir o corpo da forma mais completa possível, minimizando a possibilidade de novas fases de luto para a família, caso outras partes fossem identificadas posteriormente. Essa abordagem visa oferecer a maior integridade possível à vítima e, por consequência, um fechamento mais completo aos familiares.
Etapas cruciais da análise toxicológica e patológica
A fase atual da perícia, focada na detecção de substâncias como drogas ou medicamentos, é de extrema importância. A análise toxicológica pode revelar se a vítima foi sedada, dopada ou sofreu alguma intoxicação antes ou durante o crime, o que pode fornecer informações cruciais sobre a dinâmica dos eventos e a intenção dos agressores. Tais dados complementam a necropsia e podem ser determinantes para a acusação e o julgamento dos envolvidos. A precisão nessas análises exige tempo e equipamentos especializados, justificando o prazo estipulado pela Polícia Científica.
A dor da espera e o anseio por despedida
Para a família Estivalet, a demora na liberação do corpo é mais um capítulo de um luto que se arrasta desde o desaparecimento de Luciani. O irmão da vítima, Matheus Estivalet, tem sido o porta-voz da família nesse momento de extrema fragilidade. Ele relatou a angústia de não poder realizar um velório e enterro, nem mesmo de caixão fechado. A despedida de Luciani está planejada para ocorrer em Canoas, no Rio Grande do Sul, cidade de origem da corretora, onde ela possui familiares e raízes.
Luciani não possuía familiares residindo em Florianópolis, o que intensificou a preocupação de seus entes queridos quando ela não deu mais notícias. A última vez que foi vista na capital catarinense foi em 4 de março. O registro de seu desaparecimento foi feito em 9 de março, e a confirmação de que os restos mortais encontrados em Major Gercino eram os de Luciani veio em 13 de março, após um período de incerteza e esperança que se desfez com a confirmação da trágica notícia. Desde então, a família anseia por uma oportunidade de chorar sua perda e iniciar o processo de luto de forma completa, algo que a burocracia forense, por sua própria natureza rigorosa, tem postergado.
O desvendamento do crime: de mensagens suspeitas a prisões
O alerta para o desaparecimento de Luciani surgiu de detalhes incomuns: ela parou de atender ligações e, mais intrigante, mensagens enviadas de seu celular continham erros gramaticais que eram totalmente atípicos de seu padrão de comunicação. Esses erros despertaram a desconfiança dos familiares e foram peças-chave para a polícia iniciar a investigação sob a ótica de um possível crime. Durante as apurações, a polícia também identificou compras feitas pela internet em nome da vítima, utilizando seu CPF, o que reforçou a tese de um crime com motivação patrimonial.
O delegado Anselmo Cruz, responsável pelo caso, afirmou que 'tudo indica um crime patrimonial, de latrocínio, que tinha como objetivo ter vantagens. Tentar seguir com a vida da vítima, fazendo compras, aquisições, talvez até transferências de outros bens'. Esta linha de investigação foi crucial para identificar e prender os suspeitos. A perícia digital nos aparelhos da vítima e nas transações financeiras revelou um plano orquestrado para se apropriar de seus bens e recursos, culminando em sua morte.
Os envolvidos e a conexão com a vítima
A investigação resultou na prisão de três indivíduos suspeitos de envolvimento no brutal assassinato de Luciani. Entre os detidos estão a administradora da pousada onde Luciani residia, um vizinho de porta da corretora e a namorada deste vizinho. A proximidade entre os suspeitos e a vítima é um detalhe perturbador, sugerindo que o crime pode ter sido planejado e executado por pessoas com quem Luciani tinha algum tipo de contato ou confiança. A informação de que um dos vizinhos era foragido da Justiça em São Paulo adiciona uma camada extra de complexidade e premeditação ao caso, indicando um histórico criminoso por parte de um dos principais envolvidos.
A Polícia Civil continua aprofundando as investigações para esclarecer os papéis de cada um dos presos, a dinâmica exata do assassinato, o local onde Luciani foi morta e como seu corpo foi transportado e descartado em Major Gercino. A colaboração entre as diferentes forças policiais e a perícia forense é fundamental para fechar todas as pontas soltas e apresentar um quadro completo à Justiça, garantindo que os responsáveis sejam devidamente penalizados por este ato de extrema violência.
O caso de Luciani Aparecida Estivalet ressalta a importância da agilidade e precisão na investigação criminal, mas também a complexidade dos procedimentos periciais, especialmente em situações tão delicadas como a identificação de restos mortais fragmentados. Enquanto os peritos trabalham incansavelmente, a família Estivalet aguarda, com o coração apertado, a chance de honrar a memória de Luciani e, finalmente, encontrar um pouco de paz em meio a tanta dor.
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Fonte: https://g1.globo.com