A Serra Catarinense vivenciou um novo marco gelado nesta quarta-feira, consolidando um período de frio intenso no estado. Urupema, município reconhecido por lei como a capital nacional do frio, registrou a temperatura mais baixa de 2026 até o momento: impactantes -5,15 °C às 7h. Este valor não apenas superou o recorde anterior do ano, como solidificou a região como o epicentro de um inverno rigoroso que se manifesta pelo segundo dia consecutivo em Santa Catarina. A intensa geada que cobriu as paisagens serranas é um testemunho visual da poderosa massa de ar frio de origem polar que, desde o final de semana, influencia diretamente o clima do Sul do Brasil, conforme monitoramento da Epagri/Ciram.
Recordes e a geografia do frio em Santa Catarina
Urupema, com sua posição geográfica privilegiada em altitude, justificou mais uma vez seu título de 'Capital Nacional do Frio'. Os -5,15°C aferidos pela Epagri/Ciram, órgão responsável por monitorar as condições meteorológicas em Santa Catarina, destacam a vulnerabilidade térmica da região. Este novo recorde de 2026 sucedeu o que havia sido registrado na terça-feira (12) em São Joaquim, quando os termômetros marcaram -4,67°C às 8h, mostrando uma progressão da intensidade do frio. Outros municípios da Serra Catarinense também registraram temperaturas significativamente baixas nesta quarta-feira, reforçando o cenário de rigoroso inverno. Urubici alcançou -3,86°C às 7h, Bom Retiro marcou -2,11°C às 8h e Rio Rufino registrou -2,01°C no mesmo horário. Esses dados evidenciam como a topografia e a altitude desses locais contribuem para a formação de bolsões de ar frio, potencializando o impacto da massa polar.
A origem e o impacto da massa de ar polar
A queda acentuada nas temperaturas é diretamente atribuída à atuação de uma potente massa de ar frio de origem polar. Esse fenômeno meteorológico se forma nas regiões de altas latitudes, caracterizando-se por ar extremamente frio e seco que se desloca em direção ao continente sul-americano. Ao adentrar o território brasileiro, essa massa provoca uma significativa diminuição na temperatura ambiente, especialmente nas madrugadas e primeiras horas da manhã, quando a ausência de nuvens facilita a perda de calor por irradiação. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido, no início da madrugada, um aviso meteorológico alertando para a previsão de geada nos planaltos catarinenses. Este alerta, que indicava um risco leve de perda de plantações, sublinha a preocupação com o setor agrícola. A geada, que é o congelamento do vapor d'água sobre as superfícies quando a temperatura do ar e do solo cai abaixo de zero, pode causar danos irreversíveis a culturas sensíveis, comprometendo a produção e gerando prejuízos econômicos para os agricultores da região, que precisam adotar medidas preventivas para proteger suas lavouras.
Os diversos fenômenos do inverno catarinense
Apesar do foco nas temperaturas negativas e na geada, Santa Catarina tem experimentado uma gama variada de fenômenos invernais desde o último final de semana, incluindo precipitações de neve entre sábado (9) e domingo (10). É crucial diferenciar esses eventos, que, embora todos associados ao frio, possuem mecanismos de formação distintos:
Neve
Consiste em cristais de gelo que se formam diretamente nas nuvens, a partir do vapor d'água congelado. Para que ocorra, a atmosfera precisa estar com temperaturas abaixo de 0°C desde a nuvem até o solo, permitindo que os flocos de neve caiam sem derreter. É um fenômeno que atrai turistas e confere uma paisagem única à Serra.
Geada
Diferente da neve, a geada não 'cai' do céu. Ela se forma quando a temperatura do ar próximo ao solo e das superfícies (folhas, carros, telhados) atinge o ponto de congelamento (0°C ou menos). O vapor d'água presente no ar se condensa e congela diretamente sobre essas superfícies, formando uma camada de cristais de gelo comumente associada a manhãs de céu claro e sem vento.
Chuva Congelada
Ocorre quando a chuva se forma em uma camada de ar quente e atravessa uma camada de ar congelante (abaixo de 0°C) próxima ao solo. As gotas de chuva se tornam super-resfriadas e congelam instantaneamente ao entrar em contato com qualquer superfície sólida, formando uma camada de gelo transparente e escorregadia, frequentemente chamada de 'gelo negro', extremamente perigosa para o tráfego.
Sincelo
Também conhecido como nevoeiro congelante, o sincelo acontece quando gotículas de nevoeiro super-resfriadas (que permanecem líquidas mesmo abaixo de 0°C) entram em contato com objetos. Ao colidir com as superfícies, essas gotículas congelam, formando uma camada de gelo de aparência branca e opaca. O sincelo cria paisagens deslumbrantes, transformando árvores e estruturas em verdadeiras 'esculturas de gelo'.
A amplitude do frio em Santa Catarina
A abrangência da massa de ar polar estende-se para além das altitudes da Serra Catarinense. Mesmo em regiões sem temperaturas negativas, o frio foi expressivo. Criciúma, no Sul do estado, por exemplo, registrou geada e frio intenso. Apesar de não possuir uma estação meteorológica da Epagri/Ciram, os dados de municípios vizinhos fornecem um indicativo. Em Içara, a mínima foi de 5,71°C às 7h. Embora positiva, esta temperatura é considerada baixa para a região e suficiente para a formação de geada em superfícies expostas, evidenciando que o impacto do frio polar é sentido em diversas localidades, demandando atenção da população para os cuidados com a saúde, o aquecimento das residências e a proteção de animais e plantas em todo o território catarinense. O inverno em Santa Catarina é frequentemente marcado por essas variações, combinando o esplendor das paisagens geladas com a necessidade de adaptação das comunidades.
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Fonte: https://g1.globo.com