A trágica morte da corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, natural do Rio Grande do Sul, brutalmente assassinada e esquartejada em Florianópolis, Santa Catarina, ganhou novos contornos com a revelação de uma mensagem enviada por ela ao irmão meses antes do crime. Luciani expressava profunda decepção com a administradora do conjunto residencial onde morava, uma das principais suspeitas de envolvimento em seu assassinato. Este detalhe, somado à natureza hedionda do crime, lança luz sobre a complexidade da investigação e a teia de relações que permeava a vida da vítima.
A Vida e o Legado de Luciani Aparecida Estivalet Freitas
Luciani Aparecida Estivalet Freitas era, nas palavras de seu irmão, Matheus Estivalet Freitas, uma pessoa 'sorridente, amante dos animais' e com um 'jeito lindo de ver a vida'. Sua personalidade carismática e generosa, contudo, a tornava vulnerável. Além de corretora de imóveis, Luciani era também administradora de imóveis e turismóloga, demonstrando uma vida profissional ativa e diversificada. Morando sozinha em Florianópolis, ela mantinha contato diário com sua família no Rio Grande do Sul, por meio de mensagens e ligações, o que evidenciava o forte vínculo familiar e o quanto sua ausência seria rapidamente notada.
Em uma tocante homenagem nas redes sociais, Matheus descreveu a irmã como 'amor' e 'doçura', mas também lamentou sua excessiva confiança: 'Ela confiou demais em pessoas que acreditava serem amigas, mas que não eram. Pessoas que se aproveitaram da sua inocência, da sua confiança, dos seus segredos e da sua vida pessoal e profissional'. Essa descrição, póstuma e dolorosa, sublinha a percepção da família sobre a vulnerabilidade de Luciani, que se tornou um ponto central para compreender os eventos que antecederam sua morte.
A Decepção Revelada e os Sinais de Alerta
O ponto de virada nesta intrincada história reside em uma mensagem enviada por Luciani ao seu irmão em novembro de 2025, um período que, no contexto da investigação, representa meses antes do seu desaparecimento e subsequente morte. Nela, a corretora expressou: 'Achei que a dona do residencial era minha amiga, mas ela me decepcionou'. Na mesma conversa, ela enfatizou que não iria mais 'confiar cegamente'. Embora a natureza exata dessa decepção não tenha sido detalhada, a declaração aponta para um rompimento de confiança significativo com a administradora do imóvel, Ângela Maria Moro, que mais tarde se tornaria uma das principais suspeitas.
A família de Luciani começou a desconfiar quando as mensagens enviadas do celular da corretora, após um período sem contato direto, apresentaram vários erros gramaticais incomuns ao seu estilo. A ausência de uma mensagem de parabéns à mãe pelo aniversário, celebrado em 6 de março, intensificou as preocupações, que rapidamente escalaram para um registro de desaparecimento.
A Cronologia de um Crime Horrendo
O desaparecimento de Luciani foi formalmente registrado na segunda-feira, 9 de março. Apenas dois dias depois, na quarta-feira (11), a Polícia Civil fez uma descoberta macabra: um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercino, uma cidade localizada a cerca de 100 quilômetros de Florianópolis. A confirmação de que os restos mortais pertenciam a Luciani Aparecida Estivalet Freitas só veio na sexta-feira (13), após exames periciais.
A perícia indicou que as partes do corpo foram divididas em cinco pacotes distintos e, chocantemente, transportadas no próprio carro da vítima. O destino final desses pacotes seria um córrego próximo a uma ponte em uma área rural de Major Gercino. Contudo, as forças policiais conseguiram localizar apenas uma das sacolas, o que complicou ainda mais a recuperação completa dos restos mortais e a coleta de evidências.
A Teia de Suspeitos e os Avanços da Investigação Policial
Ângela Maria Moro: Da Receptação aos Indícios de Homicídio
A investigação rapidamente se voltou para Ângela Maria Moro, de 47 anos, a administradora do conjunto residencial onde Luciani morava e a pessoa com quem a vítima havia expressado decepção. Inicialmente, Ângela foi presa na quinta-feira (12) pelo crime de receptação. A Polícia Civil havia encontrado diversos objetos pertencentes a Luciani no conjunto residencial que a suspeita afirmava administrar. Durante a audiência de custódia, no entanto, a situação de Ângela se agravou significativamente. O juiz responsável citou a existência de 'indícios de homicídio', determinando sua prisão temporária por 30 dias. Embora Ângela tenha negado qualquer envolvimento com o crime na delegacia, a conexão com a vítima e a posse de seus pertences a colocaram no centro das apurações.
O Casal Vizinho: Matheus Vinícius Silveira Leite e Letícia Jardim
Além de Ângela, a Polícia Civil também prendeu um casal suspeito de participação no assassinato: Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, e Letícia Jardim, de 30 anos. A prisão de Matheus e Letícia ocorreu na sexta-feira (13). Matheus, que morava a poucos metros da casa de Luciani, no mesmo conjunto residencial na Praia do Santinho, já era procurado pela justiça por um latrocínio ocorrido em São Paulo. Essa informação agregou uma camada de gravidade ao perfil do suspeito, sugerindo um histórico de violência e criminalidade que poderia corroborar sua participação em um crime tão brutal. A proximidade física do casal com a vítima e o passado criminal de Matheus tornaram-se elementos cruciais para a investigação, que continua a coletar evidências para determinar a exata participação de cada um dos envolvidos.
A Busca por Respostas e a Dor de Uma Família
O caso de Luciani Aparecida Estivalet Freitas chocou a comunidade de Florianópolis e de seu estado natal, o Rio Grande do Sul, expondo a fragilidade da confiança e a violência que pode se esconder nas relações cotidianas. A Polícia Civil de Santa Catarina segue empenhada em desvendar todos os detalhes e motivações por trás deste crime hediondo, buscando justiça para Luciani e um fechamento para sua família, que ainda lida com o luto e a incredulidade diante de tamanha crueldade. A investigação detalhada é fundamental para reconstruir os últimos momentos da corretora e para que todos os responsáveis sejam devidamente processados e punidos.
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Fonte: https://g1.globo.com