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O litoral de Santa Catarina reafirmou sua posição como um dos mais importantes berçários naturais para as baleias-francas (Eubalaena australis) no Atlântico Sul. Um recente sobrevoo realizado no dia 18 de agosto, parte do Programa de Monitoramento das Baleias-francas da SCPAR Porto de Imbituba e executado em parceria com o Instituto Australis, registrou a impressionante marca de 90 desses majestosos mamíferos marinhos em Imbituba. Destes, 45 eram pares de mães e filhotes, destacando a intensa atividade reprodutiva na região. O levantamento completo ao longo do trecho monitorado, que se estende de Florianópolis (SC) até Torres (RS), contabilizou 173 indivíduos, reforçando a vitalidade da temporada de reprodução e a importância da costa catarinense para a recuperação da espécie.

A Metodologia Essencial dos Sobrevoos para a Conservação

Os sobrevoos de monitoramento representam uma ferramenta crucial na pesquisa e conservação das baleias-francas. Diferente de outras formas de observação, a perspectiva aérea permite aos pesquisadores uma visão abrangente das áreas de concentração, facilitando a contagem precisa, a identificação de padrões de comportamento e a documentação do estado de saúde dos animais sem interferir em seu ambiente natural. Estes levantamentos aéreos são meticulosamente planejados para cobrir extensas áreas costeiras, coletando dados vitais sobre a distribuição espacial dos indivíduos, a proporção de mães com filhotes – um indicador chave da taxa de natalidade e sucesso reprodutivo – e a presença de indivíduos notáveis, como os semialbinos, que servem como marcadores genéticos para estudos populacionais. A cada temporada, que tipicamente ocorre entre julho e novembro, os voos são repetidos para acompanhar a dinâmica da população migrante, fornecendo um panorama contínuo da saúde e recuperação da espécie.

Imbituba: Um Santuário de Reprodução para as Baleias-Francas

A cidade de Imbituba se destaca como um epicentro para a reprodução das baleias-francas. O sobrevoo mais recente revelou que a maior concentração de animais estava localizada entre a Praia do Luz e a Ribanceira, onde foram mapeados 31 pares de mãe e filhote, totalizando 62 baleias. Adicionalmente, no trecho entre a Praia da Vila e Itapirubá Norte, outros 14 pares foram registrados, somando 28 indivíduos. Essas áreas não são escolhidas aleatoriamente pelas baleias. Suas águas calmas e rasas, protegidas das correntes oceânicas mais fortes, oferecem um ambiente ideal para o nascimento e os primeiros meses de vida dos filhotes, que são particularmente vulneráveis. A importância do litoral de Santa Catarina é tamanha que a região abriga a Área de Proteação Ambiental (APA) da Baleia Franca, criada especificamente para salvaguardar esses importantes habitats e garantir a sobrevivência da espécie. Além de Imbituba, foram observados grupos menores em Garopaba, a partir da Praia da Ferrugem, e indivíduos distribuídos ao longo da faixa costeira desde o Cabo de Santa Marta, em Laguna, até Torres, no Rio Grande do Sul, evidenciando a abrangência da migração costeira.

O Fenômeno da Baleia Semi-Albina: Rara Ocorrência e Importância Científica

Um dos pontos mais notáveis do sobrevoo foi o reavistamento de uma fêmea semi-albina em Imbituba. Esse é um evento de extrema raridade no mundo das baleias-francas. O semi-albinismo, uma condição genética que resulta em uma pigmentação reduzida, torna esses animais distintivos e cruciais para estudos de genética populacional e rastreamento individual. O Instituto Australis, que mantém um extenso catálogo de dados, possui apenas essa fêmea com tal característica em seu acervo, tornando cada avistamento valioso. A história dessa fêmea em particular é ainda mais fascinante: em julho, durante o primeiro sobrevoo da temporada, ela foi avistada sozinha, levantando a hipótese de uma possível gestação. A confirmação veio no levantamento de agosto, com a fêmea reaparecendo ao lado de seu filhote, também semi-albino. Além dela, o voo registrou outros dois filhotes semi-albinos acompanhados de suas mães, sugerindo uma possível linhagem genética com essa característica na população local, o que demanda investigações aprofundadas sobre sua genética e impactos na sobrevivência.

Programas de Monitoramento: Pilares da Recuperação da Espécie

O Programa de Monitoramento das Baleias-francas da SCPAR Porto de Imbituba, realizado em colaboração com o Instituto Australis, vai muito além da simples contagem de indivíduos. Ele representa um esforço contínuo e integrado para compreender a biologia, ecologia e comportamento dessas baleias. Os dados coletados são fundamentais para embasar políticas de conservação, planejar ações de mitigação de impactos humanos e promover a coexistência harmoniosa entre as atividades portuárias e a vida selvagem marinha. Christiano Lopes, diretor-presidente dos Portos de Imbituba e Laguna, enfatizou que “os resultados deste segundo sobrevoo reforçam a importância de mantermos um monitoramento permanente das áreas de ocorrência das baleias-francas. O registro de 173 animais, especialmente a expressiva concentração de mães e filhotes em Imbituba, demonstra a relevância do nosso litoral para a reprodução da espécie.” Essa declaração sublinha o compromisso das instituições envolvidas em garantir um futuro para as baleias-francas, não apenas monitorando sua presença, mas também interpretando os dados para implementar medidas eficazes de proteção.

Crescimento Populacional e Desafios Contínuos

A população de baleias-francas que frequenta o litoral brasileiro é estimada em aproximadamente 800 indivíduos, um número que, embora ainda distante dos milhares que existiam antes da caça predatória nos séculos XVIII e XIX, demonstra uma notável recuperação. Com uma taxa média de crescimento populacional de 4,8% ao ano, a espécie tem mostrado resiliência em seu retorno às águas brasileiras. No entanto, o caminho para a plena recuperação ainda apresenta desafios significativos. Ameaças como colisões com embarcações, o emaranhamento em redes de pesca, a poluição sonora oceânica e os impactos das mudanças climáticas, incluindo alterações na disponibilidade de alimento e na temperatura da água, exigem vigilância constante e ações de manejo. A continuidade dos programas de monitoramento e a conscientização pública são essenciais para garantir que a baleia-franca possa prosperar em seu habitat natural, protegida dos perigos impostos pelas atividades humanas e pelas transformações ambientais.

A presença abundante de baleias-francas em nosso litoral é um presente da natureza e um lembrete da importância de nossa responsabilidade ambiental. Os esforços conjuntos de pesquisadores, instituições e comunidades locais são cruciais para preservar esses magníficos cetáceos e o ecossistema marinho que os abriga. Para continuar explorando as maravilhas da natureza catarinense, as últimas notícias sobre a conservação e o impacto positivo de ações comunitárias, continue navegando no São José 100 Limites, seu portal de informações aprofundadas sobre a região!

Fonte: https://g1.globo.com

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