Henadzi Pechan/Getty Images
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A saúde sexual masculina é um tema de extrema importância que, muitas vezes, é cercado por estigmas e falta de informação adequada. Entre as condições que afetam a qualidade de vida e o bem-estar dos homens, a doença de Peyronie se destaca por seu impacto físico e psicológico. Caracterizada pela formação de fibroses no tecido peniano, essa condição pode levar a alterações significativas na forma, comprimento e função do órgão, gerando preocupações e necessitando de atenção médica especializada. Compreender suas causas, sintomas e opções de tratamento é fundamental para promover a saúde e o diálogo aberto sobre o assunto.

O que é a doença de Peyronie?

A doença de Peyronie é uma condição adquirida do tecido conjuntivo que afeta a túnica albugínea do pênis, a camada elástica que envolve os corpos cavernosos e é essencial para a ereção. Ela se manifesta pela formação de placas de tecido fibroso (cicatrizes) no interior do pênis. Essas placas, que podem ser palpáveis, perdem a elasticidade natural do tecido peniano. Quando o pênis entra em ereção, as áreas com fibrose não se expandem como o restante do órgão, resultando em uma curvatura anormal, que pode ser para cima, para baixo ou para os lados. A condição foi descrita pela primeira vez em 1743 pelo médico francês François Gigot de la Peyronie, que a estudou em pacientes com deformidades penianas.

Causas e fatores de risco associados

A causa exata da doença de Peyronie não é totalmente compreendida, mas a teoria mais aceita envolve microtraumas repetitivos no pênis durante a atividade sexual ou outras formas de trauma. Esses pequenos ferimentos, que podem não ser perceptíveis no momento, desencadeiam um processo de cicatrização desorganizado no tecido da túnica albugínea. Em vez de uma recuperação normal, o corpo forma tecido fibroso rígido, que é a placa característica da doença. Não se trata de uma calcificação óssea, mas sim de um acúmulo de colágeno e fibrina que impede a elasticidade adequada.

Além dos traumas, alguns fatores de risco estão associados ao desenvolvimento da doença:

Predisposição genética

Homens com histórico familiar da doença de Peyronie ou de outras doenças do tecido conjuntivo, como a contratura de Dupuytren (que afeta as mãos) ou a fasciíte plantar (que afeta os pés), têm maior probabilidade de desenvolver a condição. Isso sugere um componente genético na sua patogênese.

Idade avançada

A doença de Peyronie é mais comum em homens a partir dos 40 anos, com a prevalência aumentando com a idade. Estima-se que afete cerca de 1 em cada 10 homens, embora a incidência possa variar significativamente dependendo da metodologia de estudo. A elasticidade dos tecidos tende a diminuir com o envelhecimento, tornando-os mais suscetíveis a lesões e a processos de cicatrização anormais.

Doenças crônicas e condições de saúde

Condições como diabetes, hipertensão, dislipidemia (colesterol alto), doenças autoimunes e disfunção erétil estão frequentemente associadas a um risco aumentado de desenvolver Peyronie. O tabagismo e o consumo excessivo de álcool também são considerados fatores que podem contribuir para o enfraquecimento dos vasos sanguíneos e tecidos, favorecendo a formação das placas.

Sintomas e diagnóstico da doença

Os sintomas da doença de Peyronie podem variar de intensidade e geralmente se desenvolvem em duas fases distintas: a fase aguda e a fase crônica.

Fase aguda (inflamatória)

Esta fase pode durar de 6 a 18 meses. Os principais sintomas incluem dor durante as ereções e, em alguns casos, até mesmo no pênis flácido. O homem pode notar o aparecimento de uma placa palpável no pênis, e a curvatura começa a se desenvolver ou a piorar. A dor ocorre devido à inflamação ativa e ao processo de fibrose que está ocorrendo.

Fase crônica (estabilizada)

Após a fase aguda, a dor geralmente diminui ou desaparece, e a curvatura peniana tende a se estabilizar. No entanto, a placa fibrótica permanece, e a deformidade pode ter um impacto significativo na função sexual. Além da curvatura, outros sintomas incluem encurtamento do pênis, perda de circunferência, e em alguns casos, disfunção erétil que não estava presente anteriormente ou que piora.

O diagnóstico da doença de Peyronie é primariamente clínico. O urologista realizará um exame físico para palpar as placas fibróticas e avaliar a extensão da curvatura. Frequentemente, é solicitado ao paciente que traga fotos do pênis ereto para documentar a deformidade. Ultrassonografia com Doppler peniano é um exame complementar importante, que pode mostrar a localização e o tamanho da placa, além de avaliar o fluxo sanguíneo e a função erétil, ajudando a planejar o tratamento.

Impacto na qualidade de vida e opções de tratamento

A doença de Peyronie não afeta apenas a capacidade física de ter relações sexuais; ela também tem um impacto profundo na saúde mental e emocional dos homens. A curvatura, o encurtamento e a dor podem levar a estresse, ansiedade, depressão e problemas de autoestima, afetando relacionamentos e a qualidade de vida geral. Muitos homens relatam evitar a intimidade devido à vergonha ou ao medo de decepcionar o parceiro.

As opções de tratamento variam conforme a fase da doença, a gravidade dos sintomas e o impacto na vida do paciente:

Tratamentos conservadores (fase aguda e casos leves)

Na fase aguda, o objetivo é reduzir a dor e, se possível, impedir a progressão da curvatura. Isso pode incluir medicamentos orais (como pentoxifilina ou vitamina E, embora a eficácia seja discutível), injeções intralesionais diretamente na placa (como colagenase, verapamil ou corticosteroides) e terapia de tração peniana, que busca esticar o tecido e melhorar a curvatura. Dispositivos de vácuo também podem ser utilizados para ajudar na reabilitação peniana e prevenir o encurtamento.

Tratamentos cirúrgicos (fase crônica e deformidades graves)

A cirurgia é geralmente considerada na fase crônica da doença, quando a curvatura está estabilizada e impede a relação sexual satisfatória. Existem diferentes abordagens:

1. **Plicatura:** envolve suturar o lado mais longo do pênis para endireitá-lo, o que pode causar um pequeno encurtamento do órgão.

2. **Incisão ou excisão da placa com enxerto:** remove-se ou corta-se a placa fibrótica e um enxerto (de tecido do próprio paciente ou sintético) é utilizado para preencher o espaço, ajudando a restaurar o comprimento e a forma.

3. **Implante de prótese peniana:** esta é uma opção para homens com doença de Peyronie grave e disfunção erétil refratária a outros tratamentos. A prótese retifica o pênis e proporciona rigidez suficiente para a penetração.

A importância da procura por ajuda médica

Diante de qualquer alteração na curvatura ou tamanho do pênis, dor durante a ereção ou dificuldade na função sexual, é crucial procurar um urologista. O diagnóstico precoce e a intervenção adequada podem fazer uma diferença significativa no manejo da doença de Peyronie, minimizando seu impacto e preservando a saúde sexual e a qualidade de vida. Não adie a busca por avaliação profissional; a saúde é um direito e um bem precioso que merece toda a atenção e cuidado.

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Fonte: https://www.metropoles.com

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