A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental representa um marco significativo na jornada educacional de toda criança. É um período de adaptação que exige não apenas atenção pedagógica, mas também um olhar acolhedor e planejado para garantir que a mudança de ambiente e metodologia não gere rupturas no desenvolvimento infantil. Ciente dessa importância crucial, a Secretaria Municipal de Educação (SME) de São José promoveu, na última quinta-feira (13), uma iniciativa fundamental de formação continuada. O encontro, sediado no Centro Educacional Municipal (CEM) Antônio Francisco Machado, popularmente conhecido como Forquilhão, no bairro Forquilhinha, reuniu profissionais-chave da rede municipal: diretores, assessores pedagógicos e professores que atuam diretamente com as turmas do G5 (último ano da Educação Infantil) e do 1º ano do Ensino Fundamental. O objetivo central é alinhar estratégias e consolidar práticas que assegurem uma passagem fluida e enriquecedora para os pequenos estudantes josefenses.
A Importância da Transição e o Tema "Tecendo Caminhos"
Com o sugestivo tema “Tecendo Caminhos – Olhares e Linguagens na Transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental”, a formação proposta pela SME não é um evento isolado, mas sim a continuação de um trabalho estratégico iniciado em 2023. A metáfora de “tecer caminhos” evoca a ideia de construção cuidadosa, interligando diferentes etapas e atores do processo educacional. A secretária de Educação, Cláudia Macário, ressaltou a essência do projeto: "A proposta é aproximar os profissionais das duas etapas de ensino para que a passagem das crianças para o Ensino Fundamental ocorra de maneira planejada, acolhedora e sem rupturas." Essa abordagem visa mitigar os desafios inerentes à transição, como a mudança de uma rotina mais lúdica e flexível para um ambiente mais estruturado e formal, garantindo que o bem-estar emocional e o ritmo de aprendizagem da criança sejam respeitados e estimulados continuamente.
A ausência de um planejamento adequado nessa transição pode acarretar dificuldades para as crianças, manifestando-se em desafios de adaptação, perda de interesse pela escola, dificuldades de socialização e, em alguns casos, até mesmo regressão em habilidades já adquiridas. Por isso, a dimensão de um processo "planejado" implica a coordenação curricular, a troca de informações sobre o desenvolvimento individual dos alunos e a criação de estratégias pedagógicas que respeitem a continuidade do processo de aprendizagem. Ser "acolhedora" significa preparar o ambiente escolar e os profissionais para receber os novos alunos com sensibilidade, entendendo suas necessidades e medos. E "sem rupturas" assegura que os métodos de ensino e as expectativas sejam gradualmente ajustados, construindo uma ponte suave entre o brincar e o aprender formalmente.
Construindo Pontes: A Evolução do Programa em São José
A iniciativa da rede municipal de São José tem demonstrado uma evolução constante. No segundo semestre de 2025, os profissionais envolvidos participaram de uma série de encontros mensais, oficinas práticas e valiosos momentos de troca de experiências. Uma das estratégias mais eficazes foi a estimulação da aproximação física e pedagógica entre as unidades de Educação Infantil e as escolas de Ensino Fundamental. Isso incluiu visitas das crianças aos espaços onde futuramente estudariam, um fator crucial para familiarização e redução da ansiedade. Os resultados já são perceptíveis, conforme apontou a diretora de Ensino, Cláudia Muniz: "Com a experiência iniciada no ano passado, já percebemos mudanças no processo de chegada das crianças ao 1º ano." Essas mudanças traduzem-se em crianças mais seguras, engajadas e prontas para os novos desafios.
Para este ano, a proposta é aprofundar as discussões e ampliar o alcance do programa, permitindo uma participação ainda maior dos profissionais da rede. O calendário de formação prevê mais três encontros essenciais até o final de 2026, com datas marcadas para setembro, outubro e novembro. Essa periodicidade garante que o tema seja constantemente revisitado, as estratégias atualizadas e as novas abordagens incorporadas, consolidando uma cultura de aprimoramento contínuo na transição educacional.
O Olhar Pedagógico sobre a Criança na Transição
Um dos pilares dessa formação é a compreensão de que, mesmo ao ingressar no 1º ano do Ensino Fundamental, a criança continua sendo uma criança em pleno desenvolvimento. Márcia Cristina Figueredo Rizzaro, coordenadora da Educação Infantil da SME, sublinhou essa verdade fundamental: "A criança que chega ao 1º ano continua sendo uma criança e deve ter assegurados tanto o direito à aprendizagem quanto à brincadeira, à convivência e às relações." Isso significa que a escola precisa manter um olhar sensível e integrado sobre o desenvolvimento infantil, equilibrando as novas demandas de alfabetização e numeramento com a necessidade intrínseca da criança de brincar, explorar e se relacionar socialmente.
O desafio pedagógico reside em conseguir acessar e nutrir esse "mundo infantil" dentro de um novo contexto educacional. O conhecimento, para ser verdadeiramente significativo, "tem que ser algo vivo e prazeroso", como enfatizou Márcia. Isso implica em metodologias ativas, projetos interdisciplinares, espaços de descoberta e a valorização do brincar como ferramenta de aprendizagem. A transição não deve ser uma abrupta mudança de paradigma, mas sim uma continuidade enriquecida, onde a curiosidade natural e a ludicidade da Educação Infantil encontram eco e são gradualmente ampliadas no Ensino Fundamental, garantindo que a alegria de aprender permaneça intacta e se fortaleça.
Experiência Piloto: O Modelo de Sucesso entre CEI Júlia Francisca e CEM Forquilhão
Um dos pontos altos da formação foi a apresentação de um modelo de sucesso local, a experiência de transição desenvolvida desde 2023 entre o Centro de Educação Infantil (CEI) Júlia Francisca dos Santos e o CEM Forquilhão, duas instituições que funcionam lado a lado. Essa proximidade geográfica facilitou uma colaboração intensa e produtiva.
Colaboração e Integração Pedagógica
Fabíola da Silva Aguiar de Souza, que atuou como diretora do CEI de 2023 a 2025 e hoje é assessora pedagógica da SME, destacou o papel fundamental da aproximação entre os profissionais. Segundo ela, essa colaboração tornou o processo "mais integrado" e contribuiu para uma transição "mais fundamentada", baseada em um entendimento mútuo das etapas e necessidades dos alunos. Desde os primeiros encontros, os educadores identificaram em conjunto aspectos que poderiam ser fortalecidos ainda na Educação Infantil para facilitar a chegada das crianças ao Ensino Fundamental.
Fortalecimento Curricular e Desenvolvimento da Autonomia
As trocas foram abrangentes, englobando discussões sobre alfabetização, metodologias de ensino e a análise dos registros produzidos na Educação Infantil. O objetivo era compreender de que forma essas informações detalhadas sobre o desenvolvimento da criança poderiam ser úteis para o trabalho no Ensino Fundamental. A partir dessas conversas e alinhamentos, o CEI Júlia Francisca dos Santos intensificou a aprendizagem relacionada à consciência fonológica – uma habilidade crucial para o desenvolvimento da leitura e escrita. Além disso, foram desenvolvidas ações específicas voltadas à autonomia, ao autocuidado e à organização dos objetos pessoais das crianças, habilidades essenciais para a adaptação à rotina mais independente do Ensino Fundamental.
Ambientação e Redução da Ansiedade
A experiência bem-sucedida também incluiu a aproximação das crianças com o novo ambiente escolar. Os estudantes do G5 puderam conhecer a escola, as salas de aula e os professores do 1º ano antes da efetiva mudança de etapa. Essa ambientação prévia é uma estratégia comprovada para reduzir a ansiedade, construir familiaridade e contribuir para uma chegada mais tranquila e segura ao Ensino Fundamental, transformando a novidade em algo esperado e positivo, em vez de um salto para o desconhecido.
Compartilhando Conhecimentos: A Colaboração com Florianópolis
A programação do evento foi enriquecida com a participação de especialistas da Diretoria de Educação Infantil de Florianópolis: Gabriel Inácio de Araújo, tutor pedagógico, e Cleusa Silvano, diretora de Educação Infantil. A colaboração intermunicipal é um testemunho da importância de se construir uma rede de conhecimento e boas práticas, permitindo que a rede de São José se beneficie das experiências desenvolvidas no município vizinho. Os representantes de Florianópolis destacaram a alfabetização como um processo contínuo, planejado e articulado, ressaltando que não se inicia apenas no 1º ano, mas tem suas bases construídas desde a Educação Infantil. Essa visão está em plena consonância com o compromisso nacional de alfabetizar as crianças, prioritariamente, até o 2º ano do Ensino Fundamental, reforçado por diretrizes como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e iniciativas como o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), que preconizam a importância de garantir a fluência leitora e escritora nos primeiros anos escolares.
A Formação Continuada como Pilar da Qualidade Educacional
A formação realizada em São José, nesta quinta-feira (13), é parte integrante de um processo contínuo e estratégico de qualificação de todos os profissionais da rede municipal de ensino. A Secretaria Municipal de Educação entende que o investimento em desenvolvimento profissional é crucial para aprimorar a qualidade do ensino oferecido. Mensalmente, os educadores participam de capacitações específicas, alinhadas às suas áreas de atuação. Essa política de formação continuada garante que os professores estejam sempre atualizados com as mais recentes pesquisas e metodologias pedagógicas, aptos a enfrentar os desafios da educação contemporânea e a oferecer um ensino cada vez mais engajador e eficaz para os estudantes. Ao investir em seus profissionais, São José investe diretamente no futuro de suas crianças e na excelência de seu sistema educacional.
A iniciativa da SME de São José para fortalecer a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental é um exemplo claro de um compromisso educacional que coloca a criança no centro, valorizando cada etapa do seu desenvolvimento. Com planejamento, acolhimento e colaboração contínua, São José pavimenta um caminho de sucesso para seus jovens estudantes, garantindo que o aprendizado seja uma jornada prazerosa e sem interrupções. Para ficar por dentro de mais iniciativas como esta e acompanhar de perto tudo o que acontece em São José, continue navegando pelo São José 100 Limites, sua fonte completa de informações e notícias relevantes sobre nossa comunidade!
Fonte: https://saojose.sc.gov.br