De medalhista internacional a campeã do Parajasc: Júlia Pereira Marcelino representa São José...
De medalhista internacional a campeã do Parajasc: Júlia Pereira Marcelino representa São José...

A abertura dos 19º Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc), em Chapecó, foi marcada por um início promissor para a atleta josefense Júlia Pereira Marcelino. Representando o Time São José, a competidora da bocha paralímpica, na classe BC3 Feminino, garantiu uma vitória expressiva de 4 a 2 sobre Liandra Renken Trautmann Lima, de Joinville, logo em sua primeira partida na quarta-feira (19). Este triunfo não é apenas um resultado inicial positivo; ele simboliza a continuidade de uma trajetória esportiva excepcional que se estende por mais de uma década, recheada de títulos estaduais, medalhas nacionais e internacionais, e até mesmo uma notável passagem pela Seleção Brasileira.

Com 27 anos, Júlia Pereira Marcelino personifica a dedicação, a resiliência e o talento que impulsionam o paradesporto catarinense e brasileiro. Sua participação nos Parajasc 2026 é mais um capítulo em uma carreira brilhante que inspira atletas e a comunidade de São José, reafirmando o compromisso do município com o desenvolvimento e o apoio ao esporte paralímpico.

Uma trajetória de excelência no paradesporto

A jornada de Júlia no mundo da bocha paralímpica começou em sua adolescência, solidificando-se ao longo dos anos por meio de uma disciplina férrea e uma paixão inabalável pelo esporte. Desde pelo menos 2014, registros da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) já a vinculavam a competições da modalidade, representando não apenas a instituição, mas também o município de São José. Este período inicial foi fundamental para o aprimoramento de suas habilidades e para o desenvolvimento de uma visão estratégica que viria a ser sua marca registrada.

O significado do Parajasc e a vitória em Chapecó

Os Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina, conhecidos como Parajasc, são um dos mais importantes eventos paradesportivos do país, reunindo talentos de diversas modalidades e promovendo a inclusão e o alto rendimento. Para atletas como Júlia, competir no Parajasc significa testar limites, buscar superação e orgulhosamente representar sua cidade natal. A vitória inicial em Chapecó, contra uma adversária de peso, não apenas lhe confere uma vantagem no grupo A – que também inclui atletas de Itajaí e Lages –, mas também serve como um poderoso incentivo para as próximas rodadas, solidificando sua posição como uma das favoritas na classe BC3 Feminino.

Compreendendo a bocha paralímpica: a classe BC3

A classe BC3 na bocha paralímpica é destinada a atletas com deficiências severas de locomoção, que não conseguem segurar e lançar a bola de forma independente. Para que possam participar, eles utilizam uma rampa ou calha, um equipamento assistido por um operador de rampa. É crucial entender que o operador não é um co-piloto na estratégia; sua função é unicamente técnica, posicionando a rampa conforme as instruções detalhadas do atleta. Toda a estratégia, a direção do arremesso, a força e o momento da soltura da bola são decididos exclusivamente pelo competidor. Isso exige da atleta uma precisão mental extraordinária, uma concentração inabalável e uma leitura aprofundada do jogo, transformando a partida em um verdadeiro xadrez humano onde cada movimento é milimetricamente calculado. A maestria de Júlia nessa classe é um testemunho de sua capacidade de traduzir o pensamento em ação através de um intermediário, elevando a complexidade do esporte.

Ascensão internacional e reconhecimento nacional

A base construída na juventude, com o apoio da FCEE e de São José, pavimentou o caminho para conquistas ainda maiores. Em 2017, aos 18 anos, Júlia Pereira Marcelino alcançou um marco significativo em sua carreira: a convocação para integrar a Seleção Brasileira Juvenil. Essa oportunidade a levou aos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, disputados em São Paulo, onde conquistou a medalha de bronze na classe BC3, elevando o nome do Brasil ao pódio internacional e demonstrando seu potencial em um palco de grande visibilidade.

O prestígio do Troféu Guga Kuerten e o cenário internacional

No mesmo ano de 2017, o talento de Júlia e de sua equipe foi reconhecido de forma expressiva em âmbito estadual. A equipe de bocha paralímpica da FCEE, da qual Júlia era parte integrante, recebeu o Troféu Guga Kuerten de Excelência no Esporte, na categoria Melhor Equipe Paradesportiva. Este prêmio, um dos mais importantes de Santa Catarina, sublinha a qualidade do trabalho desenvolvido e o impacto de atletas como Júlia no cenário esportivo. Em 2018, veio outra chance de vestir a camisa da Seleção Brasileira, desta vez no BISFed São Paulo Regional Open, um evento oficial do calendário internacional da Federação Internacional de Esportes para Cegos e Deficientes Físicos (BISFed). Competindo ao lado de Mateus Carvalho e Evelyn de Oliveira, Júlia brilhou nos Pares BC3, garantindo a medalha de ouro e superando equipes como Canadá (prata) e Chile (bronze), consolidando sua presença entre os principais atletas da modalidade em nível global.

O apoio do Programa Bolsa Atleta

O excelente desempenho de Júlia não se limitou às quadras. Em 2019, sua dedicação e resultados foram reconhecidos pelo Governo Federal, que a contemplou com o Programa Bolsa Atleta. Esta iniciativa é vital para atletas paralímpicos, proporcionando um suporte financeiro que permite focar no treinamento, custear despesas de viagem e adquirir equipamentos adequados, essenciais para a alta performance. Ser uma atleta bolsista do Governo Federal, representando São José na bocha paralímpica, é um atestado de seu status e da importância de sua carreira para o esporte nacional.

Consistência no pódio: o legado em Santa Catarina

Além das conquistas internacionais e nacionais, Júlia Pereira Marcelino construiu um legado sólido no cenário paradesportivo de Santa Catarina, com participações constantes e vitoriosas em eventos estaduais. Sua capacidade de se manter no topo é um diferencial que a destaca entre seus pares, tornando-a uma referência em sua modalidade.

Conquistas no Parajasc e Circuitos Estaduais

Em 2021, Júlia alcançou o lugar mais alto do pódio no Parajasc, conquistando a medalha de ouro na classe BC3, contribuindo significativamente para que a equipe de bocha da FCEE se sagrasse vice-campeã geral da modalidade. Sua performance consistente nos anos seguintes demonstrou que essa vitória não foi um acaso. Em 2022, ao lado de sua operadora de rampa, Maria Pereira Marcelino – cuja parceria e sintonia são cruciais para o sucesso na classe BC3 –, Júlia conquistou a prata no Circuito Catarinense de Bocha Paralímpica, em etapa realizada em Itajaí. Mais recentemente, em 2025, ela voltou a representar FCEE/São José na ParaCopa Sesc, também em Itajaí, onde garantiu outra medalha de prata na BC3 Feminino, evidenciando sua duradoura presença entre as melhores.

Desafios e performance em campeonatos brasileiros

A busca pela excelência também levou Júlia a enfrentar os maiores desafios nacionais. Em 2023, ela disputou o Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica, sediado em Fortaleza, e avançou até as quartas de final da BC3. Competir no Campeonato Brasileiro significa confrontar a elite da bocha paralímpica do país, e chegar às quartas de final em um torneio de tamanha envergadura é um feito que ressalta sua habilidade e preparação, reafirmando sua posição entre os atletas de alto rendimento do Brasil.

O novo capítulo em Chapecó: inspiração e expectativa

O secretário municipal de Esportes e Lazer, Claiton Ribeiro, ressalta a importância da atleta: “Ter uma atleta como a Júlia representando São José mostra a força e a importância do trabalho desenvolvido no paradesporto. Ela tem uma trajetória construída com muita dedicação, já vestiu a camisa da Seleção Brasileira e conquistou resultados importantes. Agora, está novamente defendendo nosso município e começando o Parajasc com vitória. É motivo de muito orgulho para São José.” A fala do secretário reforça o valor de Júlia não só como atleta, mas como símbolo do investimento e da crença no potencial do esporte paralímpico na cidade.

O secretário adjunto de Esporte e Lazer, Luciano Heck, complementa: “Quando a gente olha para a trajetória da Júlia, percebe que não estamos falando apenas de uma atleta que está disputando mais um Parajasc. Estamos falando de uma competidora que há anos leva o nome de São José para diferentes competições e que já representou o Brasil. É uma história de muita perseverança e que serve de inspiração para outros atletas.” Júlia Pereira Marcelino, com sua notável carreira de mais de dez anos, traz para o Parajasc 2026 em Chapecó não apenas a experiência de quem já subiu ao pódio em competições de elite, mas também a motivação de quem busca incessantemente novos desafios e mais vitórias para São José.

As disputas da bocha paralímpica seguem no FASUL Festas e Eventos, em Chapecó. A jornada de Júlia ainda está em andamento, e a expectativa é alta para que ela continue a brilhar e a escrever mais um capítulo vitorioso em sua já impressionante biografia esportiva, sempre vestindo as cores de São José com garra e determinação.

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Fonte: https://saojose.sc.gov.br

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