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Na pitoresca e gelada Urupema, localizada na Serra catarinense, um fenômeno incomum e adorável tem chamado a atenção de moradores e turistas. As ovelhas Pacha e Mama, irmãs de dois anos, desafiam as expectativas ao viverem em um aconchegante chalé e desfilarem com um guarda-roupa peculiar que inclui toucas, cachecóis e lenços. Longe de serem meros animais de fazenda, essas ovelhas se tornaram as mascotes mimadas de Ivanir e Edson Koerich, seus tutores, e oferecem uma visão única sobre a convivência entre o homem e a natureza em uma das regiões mais frias do Brasil, onde as temperaturas negativas são uma constante durante o inverno.

A vida peculiar das mascotes da Serra catarinense

A rotina de Pacha e Mama é muito diferente da maioria dos rebanhos. Elas não apenas residem em um chalé adaptado na pousada dos Koerich, mas também são o centro das atenções de Ivanir e Edson, que as tratam com um carinho ímpar. A interação com os hóspedes da pousada é um dos pontos altos de sua existência. Os visitantes aproveitam a estadia para acariciar os pelos encaracolados das ovelhas e oferecer-lhes milho diretamente das mãos, criando momentos memoráveis e inusitados. Ivanir, com um sorriso, explica a paixão por suas mascotes: "Eu gosto mesmo é de enfeitá-las, elas são nossas mascotes. E são paparicadas. Quanto aos turistas e nossos hóspedes, é só dar um milho que elas comem na mão", ressalta, evidenciando a facilidade de interação e o temperamento dócil dos animais.

A história de Pacha e Mama com a família Koerich começou em 2024, quando foram adotadas. Desde então, a criatividade de Ivanir transformou a vida das ovelhas. Ela, que antes dedicava seu tempo a enfeitar a filha, agora canaliza essa paixão nos acessórios de Pacha e Mama. Embora as ovelhas possuam uma proteção natural robusta contra o frio, a pelagem densa e extensa, Ivanir não abre mão de customizar seus trajes. "Como minha filha cresceu, eu faço tudo isso para enfeitar. Durante o ano todo eu deixo elas enfeitadas", comenta. Nas estações mais quentes, as toucas e cachecóis são substituídos por lenços coloridos, laços e outros itens mais leves, garantindo que as mascotes estejam sempre charmosas e adaptadas ao clima, mantendo a tradição do adereço como parte de sua identidade.

Urupema: a Capital Nacional do Frio e seus desafios térmicos

A cidade de Urupema, palco dessa história singular, é um dos municípios mais elevados de Santa Catarina, situada a impressionantes 1.425 metros acima do nível do mar. Essa altitude privilegiada confere à região características climáticas extremas, justificando seu reconhecimento como a Capital Nacional do Frio. Urupema não está sozinha nesse cenário gélido; ela integra um seleto grupo de cidades da Serra catarinense, ao lado de vizinhas como Urubici, São Joaquim e Bom Jardim da Serra, todas famosas por registrarem algumas das menores temperaturas do país. Essa concentração de frio extremo torna a Serra catarinense um destino procurado por amantes do inverno e pesquisadores do clima, que buscam presenciar fenômenos naturais raros no Brasil.

O título de Capital Nacional do Frio não é uma mera formalidade; ele reflete a realidade meteorológica da cidade. Segundo dados da Epagri/Ciram, o órgão de meteorologia do estado, Urupema frequentemente atinge temperaturas abaixo de zero. Somente neste mês, a cidade testemunhou um amanhecer com -5,6°C, cenário que transformou a paisagem em um espetáculo visual, com um "tapete de gelo" cobrindo vastas áreas da vegetação. Esse fenômeno, conhecido como geada, é um atrativo turístico e um desafio para a agricultura local, exigindo adaptação constante de seus habitantes e estratégias específicas para a conservação da vida e do sustento em um ambiente tão inóspito, onde a beleza do inverno caminha lado a lado com as adversidades climáticas.

A ciência por trás da proteção natural: o papel da lã das ovelhas

Embora Pacha e Mama desfilem com seus acessórios feitos à mão, a ciência revela que as ovelhas já são naturalmente equipadas para enfrentar climas rigorosos. Guilherme Renzo Rocha Brito, professor do departamento de zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que a lã grossa e a espessa pele desses animais servem como um isolante térmico altamente eficaz. Essa proteção natural é crucial para mantê-las aquecidas e secas em dias gelados e úmidos, como os que são rotineiramente registrados na Serra catarinense. A lã, em sua essência, funciona como um "casaco natural", uma adaptação evolutiva desenvolvida ao longo de milênios para garantir a sobrevivência da espécie em ambientes frios e montanhosos.

O mecanismo de isolamento térmico proporcionado pela lã é fascinante. O professor Brito detalha que as estruturas fibrosas da lã criam um "colchão de ar" entre o corpo do animal e o ambiente externo. O ar, sendo um bom isolante, retarda significativamente a transferência de temperatura, ou seja, impede que o calor do corpo se dissipe rapidamente para o ambiente frio e, inversamente, dificulta a penetração do frio externo. Essa estratégia de termorregulação é comum em diversos animais que precisam conservar calor corporal e representa uma seleção natural de estruturas que otimizam a manutenção da temperatura interna. Portanto, embora os adereços de Pacha e Mama sejam um gesto de carinho e uma excentricidade encantadora, sua verdadeira linha de defesa contra o frio extremo reside em sua própria biologia.

Impacto na comunidade e no turismo de Urupema

A história de Pacha e Mama transcende o encanto individual, tornando-se um catalisador para a visibilidade de Urupema e o desenvolvimento do turismo rural na região. A pousada onde as ovelhas residem ganha um atrativo único, transformando uma simples estadia em uma experiência memorável. Turistas, muitos deles atraídos pela reputação de Urupema como "Capital Nacional do Frio", buscam não apenas as paisagens geladas e os fenômenos invernais, mas também interações autênticas e curiosas como a oferecida por Pacha e Mama. Essas mascotes se tornam embaixadoras informais da hospitalidade local, contribuindo para a economia da pousada e do município, ao fomentar o interesse em uma forma de turismo que valoriza a singularidade e a proximidade com a vida no campo e suas peculiaridades.

A história de Pacha e Mama em Urupema é um testemunho encantador da simbiose entre o cuidado humano e a adaptabilidade da natureza. Elas representam a resiliência da vida na Serra catarinense e a criatividade de seus habitantes em transformar o frio rigoroso em algo lúdico e cativante. Se você se interessou por essa e outras histórias inspiradoras de Santa Catarina e do Brasil, convidamos você a explorar mais. Para continuar mergulhando em reportagens aprofundadas, análises exclusivas e conteúdos que conectam você aos fatos mais relevantes, não deixe de navegar por nosso portal. Visite outras seções do São José 100 Limites e descubra um universo de informações que enriquecem seu dia a dia e ampliam seus horizontes.

Fonte: https://g1.globo.com

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