A corrida eleitoral para o governo de Santa Catarina em 2026 já começa a desenhar seus primeiros contornos, com diversos nomes emergindo no cenário político estadual. Embora a oficialização das candidaturas ocorra apenas em agosto do próximo ano, após as convenções partidárias e o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o tabuleiro político já está sendo movimentado por articulações intensas. Este levantamento inicial, baseado em análises e anúncios já realizados, apresenta os principais pré-candidatos que almejam o comando do estado, cada um trazendo uma trajetória política e uma plataforma de ideias distintas para os catarinenses.
O processo de pré-candidatura é uma fase crucial nas democracias, permitindo que potenciais concorrentes se apresentem ao eleitorado, testem suas propostas e construam alianças estratégicas antes da formalização exigida pela legislação eleitoral. Em Santa Catarina, um estado de grande relevância econômica e política no Sul do Brasil, a disputa promete ser acirrada, refletindo não apenas as demandas locais, mas também as influências e polarizações do cenário político nacional. Acompanhar de perto essas movimentações é essencial para compreender os rumos que o estado poderá tomar a partir de 2027.
O cenário eleitoral e a distinção entre pré-candidatos e candidatos oficiais
No contexto eleitoral brasileiro, a diferenciação entre pré-candidato e candidato oficial é fundamental. Os cinco nomes que despontam neste momento – Gelson Merísio (PSB), João Rodrigues (PSD), Jorginho Mello (PL), Marcelo Brigadeiro (Missão) e Ralf Zimmer (PRD) – são, por definição, pré-candidatos. Esta condição permite que eles participem de debates e eventos públicos, exponham suas ideias e construam apoios, sem que isso configure propaganda eleitoral antecipada, que é vedada pela lei. A oficialização de suas postulações só se concretizará em agosto de 2026, com as convenções partidárias, onde os partidos escolhem formalmente seus representantes e as chapas, e o posterior registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse período de pré-campanha é estratégico para a formação de coalizões e a definição de vices, elementos cruciais para a competitividade nas urnas.
As articulações para a corrida eleitoral em Santa Catarina estão em pleno vapor, e o cenário político ainda se mostra em constante evolução. Os prazos definidos pelo calendário eleitoral também são importantes: o primeiro turno das eleições está agendado para 4 de outubro de 2026, e um eventual segundo turno, se necessário, será realizado em 25 de outubro do mesmo ano. A antecedência dos anúncios e das movimentações reflete a complexidade e o tempo necessário para montar uma campanha robusta e representativa em um estado tão diversificado como Santa Catarina.
Perfis dos pré-candidatos e suas articulações políticas
Gelson Merísio (PSB): a busca pela revanche e o alinhamento federal
Gelson Merísio, representante do Partido Socialista Brasileiro (PSB), surge novamente na disputa pelo governo de Santa Catarina com um histórico político consolidado. Natural de Xaxim, no Oeste catarinense, Merísio iniciou sua jornada pública como vereador em 1988, antes de consolidar sua carreira como deputado estadual a partir de 2005. Sua experiência inclui duas presidências da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC), um período que lhe conferiu profundo conhecimento da máquina pública e da articulação parlamentar. Em 2018, Merísio alcançou o segundo turno da eleição para governador, sendo derrotado por uma margem apertada, um resultado que certamente impulsiona sua atual pré-candidatura.
O anúncio de sua pré-candidatura, em 17 de abril, veio acompanhado de um significativo apoio de partidos de esquerda, como o Partido Democrático Trabalhista (PDT), o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), formando uma frente ampla. Essa aliança não apenas fortalece sua base política no estado, mas também evidencia um claro alinhamento com a agenda federal, tendo como foco a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escolha de Ângela Albino (PDT) como vice-governadora da chapa reforça o caráter progressista e a diversidade na representação, buscando dialogar com diferentes segmentos da sociedade catarinense.
Jorginho Mello (PL): a reeleição em um bastião da direita
O atual governador, Jorginho Mello, do Partido Liberal (PL), anunciou sua pré-candidatura à reeleição em 23 de janeiro, buscando dar continuidade à sua gestão. Oriundo de Ibicaré, também no Oeste do estado, Mello possui uma vasta e diversificada carreira política, tendo atuado como vereador, deputado estadual, deputado federal e senador antes de assumir o executivo estadual. Essa experiência multifacetada lhe confere um profundo entendimento dos desafios e das oportunidades de Santa Catarina em diferentes esferas.
Sua pré-candidatura é caracterizada por um amplo apoio da direita catarinense, um eleitorado historicamente forte no estado. Mello desempenha um papel estratégico na articulação da campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro, e deve atuar como um pilar fundamental nas campanhas de Flávio Bolsonaro à Presidência e de Carlos Bolsonaro ao Senado, consolidando a influência do bolsonarismo em nível estadual. A escolha de Adriano Silva (Novo), então prefeito reeleito de Joinville – a cidade mais populosa de Santa Catarina e um importante polo econômico – como vice, ainda em janeiro, demonstra uma estratégia de ampliação de apoios, unindo diferentes vertentes da direita e buscando representatividade geográfica e eleitoral crucial.
João Rodrigues (PSD): a aposta no perfil municipalista e experiência executiva
João Rodrigues, do Partido Social Democrático (PSD), entra na disputa pelo governo estadual após uma decisão de peso: a renúncia ao seu quarto mandato como prefeito de Chapecó. Esta cidade, um dos maiores centros econômicos do Oeste catarinense, é um importante celeiro eleitoral e demonstra a ambição e o foco de Rodrigues em alçar voos maiores. Sua pré-candidatura foi confirmada em um evento em 26 de março, em meio a articulações com legendas de centro e de direita, como o Progressistas (PP) e o União Brasil. Essa composição busca formar uma base política sólida, embora o cenário também tenha sido marcado por algumas polêmicas com aliados, comuns no processo de formação de chapas.
Com um perfil de empresário e comunicador, João Rodrigues construiu uma trajetória política robusta, que inclui passagens como vice-prefeito e prefeito de Pinhalzinho, deputado estadual, deputado federal e secretário estadual de Agricultura. Sua experiência como gestor municipal em Chapecó, com múltiplas reeleições, lhe confere um forte apelo municipalista e um profundo conhecimento das demandas locais, que ele pretende escalar para a administração estadual. A capacidade de gestão demonstrada em uma cidade de grande porte como Chapecó é um de seus principais trunfos para convencer o eleitorado catarinense.
Marcelo Brigadeiro (Missão): a nova força política do MBL
Marcelo Brigadeiro, pré-candidato pelo partido Missão, representa uma novidade no cenário político catarinense. O Missão é uma legenda recém-criada em 2025, que emerge diretamente do Movimento Brasil Livre (MBL), um grupo que ganhou notoriedade nacional por sua atuação em pautas liberais e conservadoras, especialmente durante os protestos de 2013 e 2016. O anúncio da pré-candidatura de Brigadeiro, feito ainda em dezembro, posiciona o Missão como uma alternativa para eleitores que buscam uma renovação política alinhada aos princípios do MBL.
Com um perfil incomum para a política tradicional, Brigadeiro é empresário e ex-lutador de MMA, o que pode atrair um eleitorado diferente. Nascido no Rio de Janeiro, ele reside em Balneário Camboriú, uma cidade vibrante e turística, desde 2011. Esta será sua primeira vez concorrendo a um cargo majoritário, embora ele já tenha tido uma breve experiência na vida pública como diretor na Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte), um órgão do governo estadual. A expectativa é que o Missão concorra sem o apoio de grandes coligações, o que pode representar um desafio significativo em termos de estrutura e tempo de exposição na mídia, mas também reforça sua proposta de uma política mais independente e ideológica.
Ralf Zimmer (PRD): a voz da defesa pública e a experiência em fiscalização
Ralf Guimarães Zimmer Junior, defensor público, é o pré-candidato que representa a federação Renovação Solidária, composta pelos partidos PRD (Partido da Renovação Democrática) e Solidariedade. Seu anúncio, feito em 2 de abril, traz para a disputa uma perspectiva focada na justiça social, nos direitos e na fiscalização do poder público, atributos inerentes à sua profissão.
Zimmer não é um nome totalmente novo nas urnas catarinenses. Em 2022, ele concorreu ao governo do estado pelo então partido PROS, obtendo 3.828 votos, um resultado que sinaliza a necessidade de ampliar o reconhecimento e a base de apoio. Contudo, sua atuação na vida pública ganhou notoriedade em 2020, quando foi um dos autores de um dos processos de impeachment contra o ex-governador Carlos Moisés, demonstrando uma postura ativa na cobrança por transparência e responsabilidade dos gestores públicos. Dois anos antes, em 2018, Zimmer também havia concorrido ao cargo de deputado federal pelo PSDB, ficando como suplente. Sua trajetória sugere um perfil de fiscalizador e defensor dos interesses coletivos, buscando se consolidar como uma alternativa para o eleitorado que valoriza a integridade e a luta contra a corrupção.
Análise do cenário político catarinense e as tendências para 2026
O panorama de pré-candidaturas para o governo de Santa Catarina em 2026 revela uma efervescência política característica do estado. A diversidade de perfis – de políticos experientes em busca de reeleição ou revanche, a novas forças emergentes e representantes de carreiras públicas – promete um debate rico e complexo. Observa-se a forte presença do Oeste catarinense entre os candidatos, indicando a crescente influência política da região. A capacidade de cada pré-candidato em formar alianças estratégicas e mobilizar o eleitorado será crucial. A interação entre as pautas estaduais e a influência de figuras políticas nacionais, como o presidente Lula e os irmãos Bolsonaro, também será um fator determinante na formação das narrativas e na atração de votos.
A fase atual, de articulação e apresentação de ideias, é essencial para que os eleitores catarinenses comecem a conhecer as opções e a ponderar sobre os diferentes projetos para o futuro do estado. Com quase dois anos até a eleição, o cenário ainda é fluido e muitas mudanças podem ocorrer, tanto na formação das chapas quanto nas estratégias de campanha. Acompanhar essas movimentações é fundamental para o exercício da cidadania e para a escolha consciente do próximo líder de Santa Catarina.
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Fonte: https://g1.globo.com